No dia seguinte, um passeio diferente nos esperava: Óbidos, pequena cidade medieval que servia de descanso para muitos dos reis e rainhas.
Óbidos é uma daquelas vilas que parece ter parado no tempo há séculos atrás. Foi fundada na pré-história, tendo sido sucessivamente conquistada pelos Lusitanos (século IV AC), Romanos (século I), Visigodos (séculos V e VI), Muçulmanos (século VIII) e cristãos (século XII), estes últimos comandados por D. Afonso Henriques, o primeiro rei português.
Todos deixaram as suas marcas – desde os Visigodos presentes em algumas ruínas, os romanos com um aqueduto que resiste ao tempo, passando pelos muçulmanos, com o estilo arábico ainda presente na muralha que cerca a cidade, chegando aos cristãos antigos com o castelo medieval que observa a vida dos seus súditos.
O castelo de Óbidos fica no alto da colina onde descansa a cidade, tendo sido erguido pelo filho de Dom Afonso Henriques, Dom Sancho I. Com o passar do tempo (e até meados do século XIX), ele foi parte do dote das rainhas, passando de mão em mão como símbolo de poder e riqueza.
Usado para guardar a cidade, o castelo é, hoje, o ponto ideal para se observar e imaginar conflitos de vontades, paisagens e tempos. Olhando para baixo, vê-se a vila, com suas casinhas espremidas dentro das muralhas, ruas estreitas e o burburinho dos transeuntes. Erguendo-se mais o pescoço, o tumulto da pequena urbe cede espaço a uma imensidão verde do lado de fora, de onde certamente tantos inimigos foram avistados. E isso tudo sob um céu imóvel, quente, impávido como testemunha que foi das glórias e desgraças humanas.
Hoje, o castelo é um hotel – e de lá pode-se degustar um pouco da vida de um nobre antigo. De lá, uma simples olhadela por uma das suas janelas de pedra serve para se testemunhar as marcas deixadas pela história e deixar a imaginação correr solta ao tentar entender o choque entre a quantidade de sangue derramado no passado e a calmaria quase tumular da modernidade.
Óbidos é uma cidade linda – e o nosso único pesar foi ter que deixá-la antes do dia seguinte.








