Publicado por: ricardoalmeida | Junho 15, 2008

As praias portuguesas

Para alguém nascido em Portugal, essas próximas palavras podem parecer fruto da mais pura ignorância. Mas para quem é brasileiro, é difícil pensar no velho mundo como portador de praias bucolicamente paradisíacas, com águas que mesclam azul cintilante a verde-esmeralda entrecortadas por pedras que desafiam a força da gravidade.

Pois assim ele é. E isso porque nem estávamos na famosa região do Algarve – estávamos por ali mesmo, há cerca de 90 quilômetros ao norte de Lisboa.

Claro – Portugal continua sendo portador de uma história que desbanca qualquer paisagem – e por todos os cantos existem fortes, fortalezas e castelos.

Peniche, por exemplo, guarda uma fortaleza secular que serviu tanto como defesa dos portos do império até como prisão politica no século XX. Foi dessa fortaleza, com celas de ferro e pedra que conflitam com a beleza exterior, que António Lopes, um dos fundadores do Partido Comunista Português, fugiu a algumas décadas. Não dá para culpá-lo: qualquer pessoa em sã consciência, independente de qualquer inclinação ou ideal politico, tentaria fugir se fosse diariamente confrontado com aquele mar azul.

Peniche também é porto de partida para as Berlengas, um pequeno arquipélago que, ao menos nas fotos, parece ser a parte mais bonita do paraíso. Não conseguimos ir até lá, no entanto: os barcos que faziam o trajeto turístico já haviam partido.

Mas nos pusemos a rodar pelas cidades costeiras. Em Baleal, chegamos a uma pequena colina rodeada de mar e de uma espécie de salitre que cheirava a calmaria. Nessa colina de ruas estreitas e casinhas brancas, um hotel se insinuava como que tentando complementar a já impressionante beleza. Do seu deck, algumas pessoas tomavam cerveja e outras, sozinhas, se punham a ler jornais ou a escrever em seus notebooks. Não havia lugar melhor no mundo para se trabalhar.

O difícil mesmo era sair daquela região. A cada metro, uma nova paisagem se desacortinava. Entre Foz do Arelho e Nazaré, novas paradas para fotos se faziam obrigatórias.

Mas os dias, infelizmente, teimam em terminar – e no por do sol (ou seja, próximo das 10 da noite do verão europeu) rumamos de volta para casa. Cansados, mas com a vista abençoada por cenas que eu, pelo menos, jamais imaginei ver – ao menos na terra do galo de Barcelos.


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