Publicado por: ricardoalmeida | Janeiro 6, 2008

Sevilha chama 2008

Com um pouco mais de estrada, chegamos em Sevilha. Era o dia 31 de dezembro.

A região que Sevilha faz parte, a Andaluzia, foi primeiro batizada de Al Andalus – ou “Terra dos Vândalos” – pelos árabes, em alusão ao povo que a dominava depois dos romanos. Os mesmos árabes lá chegaram por volta do século VIII, tendo permanecido até o século XII. Durante este período, eles transformaram a cidade em uma das metrópoles mais relevantes de todo o mundo, chegando ao status de capital de um dos califados.

Tendo sido retomada pelos cristãos e passado por uma fase de fanatismo católico como toda a península ibérica, o caldo sociológico que virou o legado de Sevilha a transformou em uma das cidades mais interessantes da Europa, com uma cultura mista, meio cristã, meio árabe e totalmente autêntica.

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Pudemos conferir isso de uma maneira diferente: por alguns poucos Euros, alugamos duas bicicletas e passamos algumas horas rodando por cada uma das ruas do centro histórico da cidade. De muralhas à famosa catedral, passando pela Giralda (que depois descobrimos ser, originalmente, uma das mais altas torres de mesquitas do mundo), por praças encantadoras e repletas de laranjeiras e ziguezagueando por todo lado.

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Sevilha estava pulsando. Pessoas de todas as nacionalidades enchiam as suas praças e os seus cafés, deixando-nos com um certo orgulho de fazer parte daquilo.

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E, enquanto o último raio de sol de 2007 se despedia, nossa ansiedade pelo Reveillon aumentava. Não tínhamos programado absolutamente nada. Aliás, só decidimos por um local depois que perguntamos, já no final da tarde, para um dos garçons de um dos cafés que entramos para enganar a fome com as famosas “tapas”. Ficaríamos na Plaza Nueva, onde, nos informaram, tudo aconteceria.

Fomos ao hotel, nos arrumamos e estávamos de partida para 2008.

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Nas ruas, pessoas começavam a aparecer do nada, saindo de suas casas e perambulando pelo centro, todo iluminado com aquela luz amarela cheia, brilhante, convidativa.

E, após comermos algo em um dos restaurantes, fomos direto para a Plaza. Ela estava absolutamente lotada de todos os idiomas, conhecidos ou não. Conseguimos identificar ingleses, franceses, alemães, russos, portugueses, espanhóis, dinamarqueses, americanos. Enfim…. todos.

E todos olhando atentamente para o centenáio relógio que parecia benzer a praça – o mesmo relógio que deve ter batido tantas viradas de ano, por tanto tempo.

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11:55. Fogos já eram ouvidos – os mais ansiosos não se seguravam mais. Um grupo de italizanos já festejava como se fosse 1 da manhã.

11:56. Garrafas de champagne começavam a deixar as sacolas plásticas.

11:57. Um grupo de portugueses atrás de nós começava a gritar o nome do seu país em um súbito rompante de nacionalismo.

11:58. Todos começavam a se olhar e a conferir, nervosamente, os ponteitos do relógio.

11:59. Não havia ponteiro de segundos, então alguns grupos mais míopes já davam os gritos e os abraços.

Finalmente, chegou a meia noite. Todos, todos começaram a se abraçar. Entre beijos e algumas lágrimas, nós fomos nos familiarizando com a forma de dizer “feliz ano novo!” em tantos idiomas diferentes.

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Estávamos em uma cidade relativamente pequena, em uma praça perdida na Espanha – mas parecia que estávamos no epicentro do mundo, dada a quantidade de nacionalidades que marcavam presença lá.

Os italianos continuaram gritando; os portugueses já haviam desaparecido; um grupo de tchecos subia em uma das estátuas para enxergar melhor a multidão; e nós, os únicos brasileiros que pareciam estar ali, estávamos concentrados na nossa própria euforia.

E, entre gritos, champagne e um sentimento de globalização como poucos, o ano de 2008 chegou prometendo ser ainda melhor do que 2007.

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