Publicado por: ricardoalmeida | Dezembro 24, 2007

As cores, as casas e as águas do Porto

Cada dia que passa, em cada nova cidade, fica mais difícil compreender a alma portuguesa. Por um lado, existe o aspecto meio triste, do fado, das aldeias, das viúvas e das praças vazias; mas existe também o extremo oposto: as casas coloridas enfileiradas, apinhadas em morros e entrecortadas por ruas minúsculas.

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Porto é este lado. A própria chegada de trem, cortando o Rio Douro, já deixa a mostra uma cidade única, grande mas ainda meio parada no tempo. A belíssima estação de trem abre caminho para prédios dos séculos XVIII e XIX, no estilo tão familiar a quem é brasileiro – e principalmente baiano. Estamos no centro da cidade, no topo da parte alta.

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Mais adiante, a maravilhosa praça da Sé – um ambiente que mescla muralhas e torres e uma catedral dos mais variados períodos – do século XII em diante. Dal, a cidade era controlada. As casas mais abastadas, onde viviam os nobres, ficavam junto à colina e próximo do local onde se decidia a vida local. Da colina, descemos pelas laeiras mais íngremes que já vi na vida, passando por casarões de 3, 4, 5 andares e que, um dia, certamente foram imponentes. Olhando para a direito, uma senhora estende as suas roupas para o lado de fora, pendurando toalhas e camisetas para secar enquanto conversa com o senhor na casa da frente, que parecia não fazer nada.

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Durante todo o caminho entre a cidade alta e a baixa vimos cenas como essa se repetindo – e era chocante imaginar como o mesmo acontecia séculos antes. A cada passo, aliás, parecia que essa repetição fazia a vista ficar mais bonita – até que avistamos o Douro.

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Não sei, verdade seja dita, o motivo pelo qual o rio ganhou este nome – mas, ao ver o sol fazer brilhar as suas águas, que pareciam ocupar um vale repleto de casas coloridas apoiadas umas nas outras, não ficou difícil arriscar um palpite.

Enquanto os olhos bebiam a beleza do rio, fomos chegando à parte baixa da cidade, na Ribeira. Lá, os barcos que por séculos foram utilizados para transportar barris de vinho do Porto descansavam, apenas balançando ao ritmo das águas. Escolhemos um pequeno bar com cadeiras na calçada e sentamos para tomar uma cerveja e petiscar um pouco – apenas para repor necessárias energias.

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Atravessamos a ponte e chegamos a Vila Nova de Gaia, na margem oposta, onde ficam as caves de degustação. E por lá ficamos, inde de um lado a outro, voltando pela ponte, tirando fotos perto das muralhas medievais que separavam o Porto das desprotegidas zonas abertas. Pisamos pedras que haviam sido pisadas por quase um milênio, vimos incontáveis casarios e, finalmente, subimos de volta para a parte alta – de bondinho, desta vez, pois os pés já davam claros sinais de exaustão.

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Estava na hora de voltar para Aveiro. No caminho de volta à cidade alta e rumo à estação, não pudemos deixar de notar grupos de idosos, dos que usam com boinas tipicamente portuguesas, a jogarem conversa fora com aquele tom de seriedade que apenas os mais vividos têm, espalhados por bancos em uma das praças principais.

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Mas a hora chegou e o trem não nos esperaria. À noite, tínhamos uma ceia de Natal na casa dos tios da Ana Lia, em uma das aldeias da redondeza – Levira.


Respostas

  1. Queridos,
    Estou com saudades! Lindas fotos, belas histórias… sinto-me um pouquinho mais perto de vcs, de carona nessa viagem no tempo!
    Aproveitem muito e FELIZ ANO NOVO!
    Amor,
    Mayra

  2. Gostei imenso da descrição da viagem pelo Porto. Calculo que não sois gente de cá mas verifico que captaste quase na perfeição o verdadeiro sentimento do da cidade e do rio. É Douro o seu nome, não tanto pelos reflexos do sol na superficie liquida, mas sim porque, nas frequentes cheias que o assaltam as águas tomam uma cor amarelo-doirado dado jus ao nome deste rio.
    Há ainda mais Douro para ver; se vos for possivel, embrenhai-vos ao longo do curso do rio e podereis sentir o encanto e o deslumbramento presente em cada margem, em cada recanto do rio.
    Aconselho-vos uma primeira experiência; visitai o blog: http://dourolindo.blogspot.com e contemplai a panorâmica daquilo que vos espera para viver e sentir ao vivo.
    Abraço


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