Uma velha – daquelas que parecem ser velhas há séculos – sentava-se sob o sol. Vestia preto de cima abaixo, em luto eterno por um marido que parecia ter morrido décadas atrás. Do seu lado, uma cadeira vazia á fazia companhia, enquanto as toruosas e apertadas ruas trilhavam seus caminhos por entre casas meio abandonadas, algo lúgubres e bucólicas.
Não lembro ao certo o nome da aldeia descrita acima – mas isso pouco importa. Pelo que contaram, uma infinidade de pequenas aldeias portuguesas descrevem exatamente o mesmo cenário. E, por mais triste que a velha parecia, perdida entre pensamentos de um tempo que há tanto se foi, ela compunha uma das paisagens mais inesquecíveis e belas do velho mundo.
Quando olhei a foto, tirada praticamente por um golpe de sorte, passei as próximas horas imaginando como seria a vida naquele lugar onde o tempo parecia não existir, onde tudo parecia estar em uma eterna pausa.
Voltamos, pois, ao carro – e por lá fomos triando outros caminhos, por outras aldeias. Paisagens maravilhosas foram se desacortinando perabte os olhos, banhadas por um céu de azul cintilante e cortada por um frio de início de inverno.
Passamos por moinhos antigos e chegamos à Floresta do Buçaco – “a mais frondosa de toda a Europa”. Mas a floresta importava pouco ali – ela parecia existir apenas como coadjuvante, para deixar mais belo o Castelo do Buçaco, erguido pelo último rei de Portugal no sítio onde as tropas napoleônicas foram finalmente expulsas da terrinha.
Hoje, é um lindo hotel, todo restaurado e mostrando aos hóspedes como era a vida da realeza na época. Tomamos um café, tiramos fotos e caminhamos pelo tempo.
Antes ainda de voltar para casa, demos um pulo nas praias da região de Aveiro. Ondas brancas, meio agitadas mas com uma certa placidez, lambiam as areias claras em um fim de tarde esplendoroso. Fomos em duas das praias, ambas com um visual semelhante. Praias no inverno são sempre meio curiosas, com um cheiro de sal e lenha queimada, portando uma beleza exótica para quem nasceu no Brasil.
O exótico permaneceu ainda quando passamos, de carro, pela vila onde habitavam os pescadores (Costa Nova): casas homogeneamente listadas, formando um padrão arquitetônico claro, alegre, cheio de vida – de certa maneira destoante do restante do cenário. Uma bela forma de se encerrar o dia…
Ao voltar para casa, passamos pela noite em Aveiro, banhada por uma lua que deixava a ria, os seus barcos e os casarões iluminados sob toos os aspectos.
Era apenas o início de uma viagem que ainda teria Espanha e Marrocos à nossa frente.













olá, gosto muito das vossas fotos, principalmente daquela sobre as aldeias portuguesas, eu queria vos pedir um favor, se me permitem utilizar as fotos referentes a aldeias e ruas portuguesas para um trabalho de video que estou a fazer neste momento, que gira a volta dos nossos cantinhos portugueses, vai ter como musica no fundo a guitarra poetuguesa ^^ . este video é um trabalho para a universidade do algarve. espero a vossa resposta em breve .
Por: Telma em Abril 26, 2009
às 10:35 pm
Olá, Telma. Por favor, fique absolutamente à vontade para utilizar as nossas fotos. Se quiser, temos mais fotos disponíveis no link que segue: http://pinfotos.abril.com.br/de/ralmeida/albuns . Caso precise delas em maior resolução, basta solicitar que enviarei.
Peço apenas que, caso o vídeo seja publicado na Internet, me mandes o link para que eu possa ver o seu trabalho.
Atenciosamente,
Ricardo.
Por: ricardoalmeida em Abril 27, 2009
às 3:07 am